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Coronavirus: A Rita Folador explica a situação atual na Coreia

O sentimento de união é um dos fatores que ajudou a Coreia do Sul no controle do coronavirus.

No final do ano passado a covid-19, causada pelo novo coronavirus, atingiu a China e se espalhou rapidamente atingindo países vizinhos e infectando um grande número de pessoas por toda a Ásia. Na Coreia do Sul a covid-19 chegou com uma força avassaladora, e ainda assim o país se tornou exemplo no combate à pandemia que agora assusta também o Brasil.

Rita Folador está na Coreia do Sul há 3 anos, entre indas e vindas ao Brasil, ela já morou em Seul e atualmente reside na região de Gangwon-do, onde 17 casos do coronavirus foram confirmados. Ela trabalhou como modelo e produtora em uma empresa coreana e diz que deixou o emprego para investir no próprio negócio. Ela conta atualmente com um canal no Youtube – Hey Rita! – além da publicação de um ebook onde ensina brasileiros a escrever o próprio nome em coreano. Ela viria para o Brasil no próximo mês, mas teve sua passagem cancelada.
O crescimento da curva de contágio na Coreia do Sul subiu muito rápido a partir do dia 16 de Fevereiro. “A partir de então teve constante crescimento na confirmação dos pacientes. Foi um fim de semana que a Coréia inteira entrou um pouco em panico. Faltaram estoques de várias coisas no dia seguinte”, ela diz. E todo esse aumento se deu por conta de uma única pessoa. “Ela [pessoa contaminada] continuou indo na sua igreja mesmo tendo consciência que estava com os sintomas.” E epidemia eclodiu na cidade de Daegu, onde 63% dos casos de contágio estavam relacionados a frequentadores da seita Igreja de Jesus de Shinchonji, que passa a ideia de que o fundador Lee Man Hee é a segunda encarnação de Jesus Cristo.

Em seu primeiro vídeo a Rita fala de forma didática sobre o contágio da covid-19 na Coreia.

Em um mês o número de contagiados foi para 8.162 casos, o quarto mais alto do mundo, e o número de óbitos até o dia 16 de Março era de 75 pessoas, representando uma taxa de mortalidade de 0,9%. Mas como as pessoas se previniram por lá? Rita diz que a mudança aconteceu por parte da população. “Antes do coronavírus as pessoas trabalhavam direto até o esgotamento, e tentavam curtir um pouco o final de semana. Quando a pandemia começou muitas empresas liberaram home office, davam máscaras pros funcionários, metrôs esvaziaram, ruas famosas por estarem sempre lotadas viraram ruas fantasmas”, ela diz. “Lan houses e cinemas esvaziaram, nenhuma autoridade precisou fechar nenhum estabelecimento aqui pois a própria população estava ciente do perigo e tentaram ao máximo evitar espalhar a doença. Festivais e shows foram cancelados, e as poucas pessoas que saem na rua estão de máscara.” ela continua. Na opinião dela isso se dá porque a Coreia não pensa somente no individual, e sim no coletivo. “Se isso fosse uma guerra de armas muita gente iria morrer, mas essa guerra é contra uma doença que para vencermos precisamos pensar no próximo, apenas isso.
Claro que existe todo um plano de fundo nisso tudo no qual o governo deve ajudar, pois muitas pessoas no nosso país não têm a opção de não trabalhar. Acredito que a ajuda deveria vir das duas partes tanto da população quanto dos governantes.”
Um país que já passou por situação de guerra e dominação estrangeira, onde a escassez de comida e provisões era grande, pensar no coletivo salvava vidas.

E é o que está acontecendo novamente com a pandemia do covid-19.

Ela diz que receber notícias diárias sobre o coronavírus já se tornou normal. “As notícias passam a todo tempo sobre o Corona na tv e o governo manda alertas no nosso celular para avisar assim que um paciente é confirmado na nossa cidade, logo depois de confirmar eles mandam outra mensagem falando por onde aquela pessoa passou para estarmos cientes se tivemos risco de contágio!” Então todo mundo sabe exatamente quais os locais tem alto risco de contágio. “A mensagem vem acompanhada de uma sirene que sempre dá medo, mas ajuda a entender a seriedade do assunto.”

Talvez seja isso, o entendimento da seriedade do assunto

Na Coreia o governo designou médicos para examinar os civis habitantes de áreas mais críticas do país de forma forçada, tendo então maior controle das pessoas contaminadas, podendo começar o tratamento o quanto antes e minimizando a curva de contágio e facilitando o tratamento. Houveram críticas sobre como esse método soava invasivo, mas foi talvez o que ajudou a estabilizar a curva.

Rita diz que em sua casa a mudança de hábito aconteceu também.
Ela está sob isolamento social, e tenta sair o mínimo possível para economizar máscaras – o pensamento no coletivo – “Há pessoas que precisam muito nesses dias e o país está um pouco em falta com isso. Parei de ir na academia e compro comida pela internet.” Segundo ela, quando sai imprescindivelmente usa máscara, e quando volta para casa deixa a bolsa separada, lava bem as mãos e coloca a roupa que usou para lavar.

Rita diz que os restaurantes que antes eram cheios nos finais de semana, agora fecham cedo por falta de clientes.

O coronavirus já está começando a ficar sob controle, mas ainda tem tempo até o controle total, segundo ela. “Sem aulas por enquanto, alguns ainda fazem home-office mas muitos já voltaram para o dia a dia do trabalho.” As ruas seguem vazias e os restaurantes fecham mais cedo por falta de clientes nos finais de semana, quando os trabalhadores costumavam ter tempo livre para se reunir coma família e amigos. “Quando o surto começou eram 500 confirmados por dia, hoje já são 100~150 por dia o que faz a gente pensar que já está ficando sob controle. A maioria dos infectados aqui não eram idosos, o que ajudou a reduzir o número de mortes também.” O governo também recebeu denúncias de toda a população quando percebiam um infectado que descumpria a quarentena, criando uma rede de medo entre as pessoas idosas que deixaram voluntariamente de sair de casa.

A previsão para o Brasil é que a próxima semana tenha um aumento drástico na curva de contágio, onde o controle dos casos é essencial para definir os nossos próximos meses, planos de ação para prevenção e diminuição das taxas de letalidade. Rita tem uma recomendação para todos os brasileiros: “Quem puder ficar em casa fique!” Mas ela também tem a consciência de que aqui nem sempre isso é possível, e nossas autoridades nem sempre trabalham a favor da população. “Se você não tiver escolha, tiver que sair, evite falar na rua, lave sempre bem as mãos, se não tiver água e sabão, álcool em gel é a solução. Se tiver a opção de usar máscara use. Saia apenas o essencial: de casa pro trabalho do trabalho pra casa!” e continua: “Cuide do seu psicológico, ficar isolado é complicado por isso não deixe que isso te tire do sério e tente achar o melhor jeito de passar por isso, não é para sempre é apenas algo temporário.”

Se você quer seguir a Rita e ver mais coisas sobre o dia a dia dela na Coreia, segue:
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O Say K tem uma listinha de recomendações para esse momento complicado que você pode conferir aqui.

Written by Lun Rezende

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