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Precisamos Falar Sobre: ‘Streetlight’ e Saúde Mental

No mês da consciênda da saúde mental, o assunto é trazido à tona por um dos projetos solo do Stray Kids, ‘Streetlight’

Atualmente a Coreia do Sul é o segundo país com o maior índice de suicídio e o campeão em internações por problemas psicológicos, segundo a OCDE. Em alguns momentos por culpa da mídia sensacionalista, em outros por falta de conhecimento por parte da comunidade, as doenças psicológicas são estigmatizadas dentro da sociedade sul-coreana, deixando hospitais voltados para esse tipo de tratamento vazios, e em diversos momentos com recursos muito precários para tratar seus poucos pacientes.

Estudos atuais defendem uma “alfabetização em saúde mental”, que consiste em seis estapas: reconhecimento de doenças mentais, como obter informações sobre saúde mental, conhecimento e crença em fatores e causas de risco, conhecimento e crenças sobre medicina de autovalor, conhecimentos e crenças sobre ajuda especializada e o estigma do tratamento psiquiátrico. Jong Ik Park defende que se esses seis fatores forem completos, e o conceito de entendimento da saúde mental puder ser aplicado e disseminado de maneira mais abrangente à comunidade, ele não apenas reduzirá o preconceito, melhorando o conhecimento e a atitude do público em relação à doença mental, mas também reconhecerá quando a doença mental ocorre a si mesmo ou às pessoas ao seu redor.

“E intervindo no tratamento precocemente, é possível prevenir doenças mentais crônicas” diz seu estudo.

Na Coreia do Sul, 28% dos idosos estão com depressão mas acham que não estão, e dentro desse número, 78% acredita que estar com depressão é um sinônimo de fraqueza, tornando a possibilidade de tratamento para essa parcela praticamente impossível. Acredita-se que pela facilidade do acesso à informações atualmente, atrelado a uma juventude que passa quase todas as horas do dia conectada, algumas daquelas seis estapas já estejam acontecendo entre os mais novos, os tornando “letrados em saúde mental”.

Desde a pressão social para universitários entrarem em uma das três melhores universidades coreanas, até conseguirem um bom emprego em um dos poucos conglomerados hiperseletivos, a ênfase na necessidade de sucesso profissional é inevitável para a maioria dos coreanos. “Existe muito medo em ser diferente,” diz Chad Ebessutani, pesquisador americano atualmente baseado no Seoul Counseling Center.

Em meio a toda essa divergência social em suas opiniões sobre saúde mental e seus tratamentos, veio um grupo jovem de k-pop que optou por não aderir ao “ser igual”, e fala diretamente com “o diferente”. O Stray Kids é liderado por Bang Chan, australiano de descendência coreana que se mudou para Seul sozinho aos treze anos de idade, após passar em uma das audições internacionais da JYP Entertainment. Trainee por sete anos antes de finalmente debutar, ele fala abertamente sobre os problemas psicológicos que até hoje enfrenta. Em lives semanais que ele faz no VLive, ele não esconde sobre não conseguir dormir, e que às vezes também não é fácil para ele, e ressalta que está “tudo bem não estar bem, o Stray Kids sempre estará aqui para você.”

Mais recentemente Han, outro dos integrantes, precisou se afastar das atividades promocionais do grupo após uma crise de pânico ao ser cercado por fãs na saída de um programa de música onde o Stray Kids se apresentou.
Com suas letras sempre conversando diretamente com a sua geração, falando sobre lutas e dificuldades, o Stray Kids vem atualmente lançando uma série em seu canal, onde cada um dos oito integrantes compõe um trabalho solo.

Han apresentou ‘Close’, composição dele em que ele diz ter se inspirado no filme “Closer” de 2004. A letra fala abertamente sobre a insegurança de aproximar da pessoa por quem acabou de se apaixonar, mas em uma nota otimista também sobre como esse novo amor desperta nele a esperança de dias melhores.

O segundo vídeo foi por Hyunjin, que criou uma coreografia de dança contemporânea para uma música da inglesa Billie Eilish, “When The Party’s Over”.

Mas o vídeo que fala diretamente com o mês de maio – conhecido por ser o Mês da Consciência da Saúde Mental – é ‘Streetlight’, do rapper principal do grupo, Changbin com os vocais do líder Bang Chan. A letra de ‘Streetlight’ pode ser bastante relacionável para muitos dos fãs e não fãs, falando sobre a tentativa em vão de por vezes esconder seus medos e dores com receio de parecer fraco.

Conforme a letra progride, tem o momento em que ele alega ter guardado tudo isso porque queria ser a força de outra pessoa, como muitos acabam fazendo. Em dado momento ele se pergunta se alguém será a força dele, e implora que alguém pergunte se ele está bem.

“Não posso confessar isso, não posso confessar tudo isso, e a dor que não pude extravazar começa a me culpar. Quando eu continuo respirando, esse ar velho vai além de ser desconfortável e eu fico sufocado…” A criação do stress por guardar para ele algo que ele preferia colocar para fora. Em um dos versos ele diz que não tem ninguém olhando para ele, e ainda assim ele sente como se todos os olhares estivessem o julgando.

E se a letra não fosse indicativo o bastante de que o Stray Kids está avançando sobre a questão da saúde mental, a simbologia do MV diz tudo. Sentado em uma platéia escura e vazia, Changbin tem sua dor representada por uma planta seca em um vaso, os galhos apontando para diferentes lados, até que uma tinta azul começa a cair sobre a planta.

Em Mukinbudin na Austrália as pessoas começaram a pintar as árvores secas com tinta azul para espalhar consciência sobre a saúde mental. Tudo começou quando um jovem de 29 anos tirou a própria vida depois de se mudar para Sydney a trabalho. A família de Jayden Whyte começou a ação com a intenção de espalhar a mensagem: é ok não estar ok. O que antes começou como uma brincadeira de Jayden com os amigos, após querer dar mais vida a uma árvore seca, agora é uma mensagem de solidariedade.

A história provavelmente chegou ao grupo pelos dois australianos que compõe o Stray Kids, Bang Chan e Lee Felix. No MV a tinta cobre os pequenos galhos secos, se tornando a cor mais promeniente em toda a fotografia. E não é somente sobre os galhos secos que a tinta cai, ao término da música, sentado sozinho em contemplação, vemos a tinta pingando sobre a mão do rapper.

A mensagem final – uma frase que segue todos os MVs da série – é “dói estar sozinho”.

O simbolismo da dor pela planta seca, coberta pela tinta azul indica claramente o pedido que muitos artistas mandam de forma ainda velada: busque ajuda. Você não está, de fato, sozinho por mais que assim pareça. A importância desse MV e da mensagem que ele busca passar vai além de ser fã do grupo ou não, é a questão mencionada Jong Ik Park sobre a “alfabetização em saúde mental”.

Não dá para prever o que mais o Stray Kids tem guardado para o público, mas as possibilidades de discussões sobre tópicos ainda pouco tocados, e com uma liberdade que raramente grupos de grandes empresas tem para criar seus próprios conceitos e trilhar seus próprios caminhos, as chances são de boas surpresas.

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Written by Lun Rezende

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