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Review: Agust D 2

“Três anos se passaram, honestamente não sei quantas músicas vou colocar aqui.

Não importa, eu vou fazer isso”

Moonlight – Agust D

 

E assim Agust D começa a narrar sua nova trajetória, mostrando o que os anos e as experiências fazem com a gente. Como ele mesmo disse, “é uma documentação de mim mesmo aos 28 anos”, mais solto, porém ainda incisivo. Somos convidados a ouvir, sentir e refletir sobre a mensagem que esse Agust D amadurecido tem para nos contar.

 

MOONLIGHT

A mudança faz parte de nós e não há como evitar, até pensar nela já nos faz diferentes do que fomos antes. A faixa que abre o álbum traz as conquistas e as mudanças desses últimos anos, mas mesmo assim as incertezas continuam ali e iguais. Não importa quem você seja ou o quão longe chegou, a incerteza sempre é tão presente quanto a mudança. Ambas serão parte do nosso caminho e o jeito que lidamos com elas é o que pode nos fazer ou não seguir em frente. Uma coisa não muda: a luz do luar que muitas vezes nos acalma e nos guia, que simboliza a grandiosidade que temos dentro de nós, pois mesmo que não por 24H por dia, todos tem a chance de brilhar nas suas diversas formas.

 

DAECHWITA

Com referência do filme “Masquerade” de 2012, Daechwita nos apresenta um Rei e seu Doppelgänger, o que podemos dizer que é o encontro dos dois Agust D.

O primeiro sentado em seu trono mas enlouquecido, e o novo uma versão mais madura, com uma nova visão das coisas, que não tem a necessidade de provar nada pra ninguém. Ambos são realeza, têm talento e nasceram tigres em uma sociedade na qual o dinheiro dita o quão grande você é. O primeiro se perdeu no caminho e o segundo percebeu que seu tempo e sua vida valem mais do que dinheiro.

Assim Agust D 1 e 2 se enfrentam e nosso novo rei destrona o antigo, mostrando 

que nosso amadurecimento nos prova que podemos ser sempre uma melhor versão de nós mesmos.

 

WHAT DO YOU THINK?

O recado aqui vai para quem é medíocre e tenta invalidar o trabalho dos outros, achando que o seu sucesso depende do fracasso das outras pessoas. Todo o sucesso que foi alcançado nos últimos anos é um bom antídoto para o veneno dessas pessoas.

O que você acha de tudo que o BTS já conquistou? Depois de toda sua trajetória, a opinião de quem só quer tirar vantagem ou desmerece o trabalho dos outros, no final das contas, não importa a Agust D.

 

STRANGE

Em tom de conversa, Agust D e RM falam sobre os paradoxos desse mundo polarizado em que vivemos. Os ricos cada vez mais tirando proveito dos menos favorecidos, as pessoas brigando entre si por coisas irrelevantes, os nossos jovens sendo encorajados a sonhar e tendo seus sonhos tirados pelo sistema.

Quem não adoece pelo mundo tóxico é considerado louco, quem ainda consegue manter os olhos abertos além da polarização de tudo tem de se “cegar” para sobreviver. Então por que devemos continuar vivendo, se tudo está sobre controle e esse controle é o sistema em que vivemos?

O estranho é nos mantermos de olhos fechados para o que realmente importa, enquanto o que nos controla faz a sociedade de fantoche dentro de uma história maniqueísta, preto ou branco, sendo que somos feitos de vários espectros. O estranho é não nos perguntarmos por que nos deixamos controlar.

O que devemos fazer nesse mundo polarizado? “Não existe resposta certa, essa é a resposta.”

 

28

Com esse mundo fragmentado, controlado e controlador, como é amadurecer e pensar na própria trajetória?

Conforme vamos crescendo e vivendo situações, começamos a esquecer alguns de nossos sonhos e esperanças do passado; os nossos anseios começam a fazer mais sentido com a nossa realidade e assim percebemos que estamos nos tornando adultos. Agust D compartilha as mesmas angústias que sentimos, quando pensamos em crescer e deixar algumas coisas para trás para poder seguir em frente. Isso é se tornar adulto?

 

BURN IT

Deixar queimar dentro de nós tudo de bom e de ruim que já enfrentamos., Burn it quer nos dizer que podemos pegar o que acontece em nossas vidas e usar de combustível para nos fazer brilhar, ou queimar e começar de novo como uma fênix.

O fogo pode transformar, e das transformações nascem o novo. Mas só nós podemos decidir o que é melhor fazer com essa chama, como Agust D diz

Espero que você não esqueça que desistir decisivamente também conta como coragem.

Queimar a imagem no espelho que não nos representa e se permitir enxergar o que nos aquece e ilumina individualmente.

 

PEOPLE

Um dos comportamentos mais humanos é olhar ao redor e se comparar com as pessoas. Querer o que não está ao nosso alcance, rejeitar o que já temos, se sentir equivocado, Agust D mostra que todos partilham dessas angústias. Não importa o quão diferentes sejamos dos outros, o tempo passa igual para todos nós.

As pessoas amam, vivem, morrem e podem ser esquecidas. Isso faz parte de ser humano. Enquanto isso o tempo passa, a vida passa e nós continuamos levando muitas coisas a ferro e a fogo. No entanto, não existe jeito certo de viver; existe o seu jeito. O que pode ser uma trivialidade para você, pode ser o maior dos desejos para outra pessoa, e vice-versa.

Bruce Lee dizia “seja água”, se molde, flua por entre as pedras.

“People” passa essa mesma mensagem, fluindo como a água cada um deve viver a sua maneira.

 

HONSOOL

Honsool é uma expressão coreana para o ato de beber sozinho, nesse caso podemos interpretar como ter um tempo para si mesmo. 

Muitas pessoas ao beberem se tornam mais honestas, já que o efeito do álcool as faz por vezes perder o medo. É sob esse efeito que Agust D fala, sobre como a fama, o dinheiro, sucesso e o palco o assustam; a vida de uma grande estrela não é toda essa excentricidade que as pessoas pensam. A rotina e os deveres chegam a todos, e assim vamos vivendo um dia de cada vez Muitas vezes precisamos de momentos sozinhos para podermos refletir e dizermos a nós mesmos algumas verdades.

 

SET ME FREE

Podemos sentir várias coisas ao mesmo tempo e, em “Set me Free” o pedido de liberdade já vem embutido nas dores que podem aparecer no caminho da nossa vida. “Tem dias que vamos estar nos arrastando no chão e outros que sentimos que podemos voar.”

A liberdade aqui é pedida com cantos de pássaros ao fundo, mas uma voz cantada que não tem forças para seguir em frente, nos fazendo acreditar que a liberdade é nossa última chance de permanecermos vivos.

 

DEAR MY FRIEND

 

Por mais otimistas que possamos ser, todas as pessoas têm um pensamento: “e se, no passado, eu tivesse feito isso? As coisas estariam diferentes ou melhores?”.

Na nossa vida, muitas vezes, conhecemos pessoas com as quais nos identificamos e partilhamos sonhos, e para Agust D isso não foi diferente.Os caminhos das pessoas seguem direções diferentes e, conforme vamos vivendo nossa vida, também vamos mudando. Quando percebemos que pessoas fundamentais para nós começam a se desencaixar de nossas vidas, sentimos raiva, nos culpamos, culpamos as outras pessoas, porque dói demais aceitar que temos que seguir em frente. Aquilo que tínhamos não existe mais e, mesmo assim, queremos nos prender na ilusão do que já foi bom.

A imagem do passado é agridoce pelas boas memórias e pela realidade que está em nossa frente, mostrando que devemos deixar ir.

Em D 2 podemos ver que muito do sonhado por Agust D 1 foi alcançado, e com isso ele aprendeu várias coisas, inclusive a dar valor ao simples, à vida ordinária, o ser “normal”. Agust D amadureceu, se tornou mais solto e continua aprendendo com suas experiências. Não existe certo e errado, existe o vivido; não existe certeza, existem possibilidades, perdas, conquistas, valores e ideias mudam, aumentam e desaparecem, nos mostrando as facetas da vida. Assim ele se aproxima mais das pessoas que o estão ouvindo.

A trajetória de Agust D/Suga/Yoongi é incrível não pelo extraordinário, mas pela forma como ela mostra o quão próximos todos nós estamos, conectados, e seguimos vivendo sem fórmula perfeita ou milagrosa, cada um à sua maneira.

Rafa Soli

Written by Rafa Soli

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