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Review – ITAEWON CLASS: vale mesmo a pena?

Itaewon Class é um dorama da emissora JTBC, distribuído pela Netflix, e foi exibido de 31 de janeiro a 21 de março, em 2020, e sua história é baseada no webtoon de mesmo título.
Antes de continuar lendo, saiba que este texto possui um spoiler. Não é nada que entregue muito da trama, mas, caso não goste, mantenha a atenção aos avisos.

A HISTÓRIA
Se fosse possível resumir Itaewon Class em apenas uma palavra, seria fácil: vingança.
A trama segue Saeroyi e começa quando o personagem ainda é um adolescente. Depois de ser transferido de mais uma escola por conta de problemas de comportamento, novos conflitos surgem quando Saeroyi não consegue fechar os olhos para o bullying que Geunsoo pratica e como ele anda pela escola como se fosse o próprio dono.
Quando Saeroyi perde a paciência com tanto desrespeito e parte para cima de Geunsoo, tudo fica tenso. Geunsoo é filho do dono de uma das maiores empresas coreanas e, para completar, o pai de Saeroyi trabalha para o pai de Geunsoo.
Não é surpreendente que Saeroyi seja expulso nem que a demissão de seu pai venha também, o impactante é ver como Geunsoo ser um adolescente mimado e sem limites o envolve em um acidente de carro que tira a vida do pai de Saeroyi.
Bom, é um dorama sobre vingança, não é? Então senta que lá vem história, porque Saeroyi vai tirar satisfação com Geunsoo, vai preso por quase matá-lo e, quando sai, está pronto para destruir a empresa da família, a Jangga.

CHOSEN FAMILY
Quando Saeroyi sai da prisão, resolve continuar com o sonho de seu pai e abre um bar, o Danbam, em Itaewon. Dentro da história, o bar vai além de um cenário e se torna quase uma personagem. É palco de discussões incríveis, o meio pelo qual Saeroyi quer se vingar da família Jang e o por que da família de Saeroyi se conhecer.
Família? Sim! Por mais que Saeroyi não tenha mais parentes de sangue, a relação que cria com seus funcionários do Danbam é uma relação de família. Ainda que não tenham nenhum laço sanguíneo, eles cuidam um do outro, e Saeroyi, claro, é o pilar dessa relação construída entre todos eles.
Uma das cenas marcantes da série, inclusive, é quando Saeroyi fala para Seungkwon que não é porque ambos são ex-presidiários que não podem sonhar com uma vida digna fora da cadeia.
Saeroyi é o personagem justo que mantém a chama das outras personagens acesas.

REPRESENTATIVIDADE IMPORTA!
Não é de hoje que doramas mostram enredos problemáticos no que diz respeito à preconceitos nos mais diversos níveis, em especial aos nossos olhos ocidentalizados e, por vezes, eurocêntricos.
Representatividade é algo que temos visto crescer, bem aos poucos, nos doramas e, em especial, representatividade decente, que acabe não se tornando um desserviço para toda uma comunidade. Nesse sentido, Itaewon Class dá um show.
Há dois personagens que merecem destaque quando falamos sobre esse k-drama: Hyunyi, cozinheira do Danbam, e Toni, um dos atendentes.
Hyunyi é uma mulher trans e, por mais que o melhor fosse ter uma personagem trans interpretada por uma atriz que também o fosse, o primeiro passo já foi dado. Sem contar que não é novidade para ninguém que assistiu que ela foi a personagem feminina menos problemática da série.
Em Itaewon Class, acompanhamos, inclusive, dramas que Hyunyi passa por ser uma personagem trans, o preconceito que sofre e como essa família que o Danbam criou vai dar todo o apoio que ela precisa.
Outro personagem que deve ser mencionado quando falamos de representatividade neste dorama é o Toni. Toni é um personagem afrocoreano e que também passa por situações preconceituosas e estereotipadas, como, por exemplo, ser contratado para trabalhar no Danbam por Saeroyi ter certeza de que ele fala inglês fluentemente.

NEM TUDO SÃO FLORES
Itaewon Class pode ter ganhado o coração de muita gente no mundo dos doramas, mas nem tudo são flores!
Por mais que, ao longo dos episódios, nos deparemos com questão de extrema importância a serem debatidas na sociedade, o dorama ainda peca muito em três pontos principais.
O primeiro deles é a rivalidade feminina para dar e vender. Duas das personagens femininas centrais da trama têm um interesse amoroso em Saeroyi: Sooah, amiga de Saeroyi desde a adolescência, e Yiseo, que, mais tarde na história, vai se tornar gerente do Danbam.
É quase insuportável como a interação entre as duas é uma constante batalha para determinar qual delas é a melhor para Saeroyi. No caso de Yiseo, tudo piora um pouco mais, já que a obsessão que ela sente por ele a faz investir de uma maneira até infantil, como se fosse uma criança apaixonada.
Também não parece ser um amor que se suporta. Ao longo da história, Yiseo sempre sustenta uma postura de ser uma personagem problemática, que faz o que quer e, em certos momentos, quase beirando a sociopatia, mas, quando se trata de Saeroyi, a personagem é capaz de largar tudo para segui-lo cegamente com argumentos cada vez menos críveis.
O segundo ponto é que a narrativa da vingança cansa.
Dá para entender o ponto do Saeroyi. É um homem que carrega até o fim o seu senso de justiça de fazer com que o assassino de seu pai pague pelo crime que cometeu. Como é um homem jovem e rico, sempre debaixo das asas do pai, é melhor estratégia é bater de frente com a família inteira. Até aí tudo bem.
O problema é quando o sentimento de vingança se inverte e a família Jang passa a querer dar o troco em Saeroyi. Em algum momento da história, uma das personagens ainda pergunta ao patriarca da família se ele vai mesmo se incomodar com um ex-presidiário que abriu um bar minúsculo em Gangnam. É isto: não faz sentido nenhum.
O terceiro ponto é como os interesses amorosos desta série motivam as personagens a ações sem nexo.
Como já citado, Yiseo é sempre um bom exemplo (ou mau!), mas (e SPOILERS ATÉ O FINAL DESTE PARÁGRAFO!!!) Geunsoo largar o Danbam para procurar um lugar na empresa do pai só porque a Yiseo disse que, se um dia ele quisesse namorar com ela, teria de ser alguém na vida, é um tanto ridículo e nada plausível! Quer dizer, quem iria fazer algo assim?!

No fim das contas, dá para entender por que muita gente gostou tanto de Itaewon Class, mas a verdade é que não dá para fechar os olhos para muitas das inconsistências deste dorama.

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Written by Marina Otero

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