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Wonho: O primeiro passo para uma indústria mais humana?

A humanização dos idols se faz cada vez mais necessária. Após uma verdadeira caça às bruxas, Wonho tem a oportunidade de falar ao público.

Foi com alegria que no sábado (14) os fãs do grupo Monsta X receberam a notícia que Wonho foi inocentado das acusações feitas a ele em Outubro, sobre o uso ilegal de maconha. Crentes da inocência do idol que se desligou do Monsta X em 31 de Outubro, os fãs veem desde então criando projetos, protestos e subindo hashtags para que a empresa Starship Entertainment, responsável pelo grupo, tomasse alguma medida protetiva com relação ao seu artista.

Nesse sábado no entanto, a empresa além de declarar o fim das investigações que declaravam a inocência de WonhoLee Hoseok – também disse ter sido quem providenciou a ele advogados e suporte para o procedimento.

Acusado sem provas em meados de Outubro, Wonho recebeu uma enxurrada de ataques dos internautas – em sua maioria coreanos – sobre como seu comportamento do passado era errado e ele merecia ser excluído da mídia e esquecido. Mesmo com sua saída o grupo continuou recebendo ataques, precisando encerrar as promoções do novo álbum com antecedência, escrevendo cartas de desculpas e seguindo com a agenda de forma discreta.

Mas o que leva o público a acreditar em acusações sem provas? Jung Da Eun, ex-companheira de apartamento de Wonho, com quem ele dividiu moradia e parte de sua juventude, já esteve presa por uso de entorpecentes, tentou inúmeras vezes sair do anonimato mas sem sucesso, e vivia no esquecimento de uma sub-celebridade da internet. Enquanto isso, Han Seo Hee, outra das acusadoras, já é conhecida por ter o respaldo de pais em redes de tv e na justiça, se envolveu com inúmeros idols e foi quem esteve por trás das acusações de uso de drogas de T.O.P do Big Bang e mais recentemente B.IKim Hanbin – do iKon, este último resultando na expulsão do integrante. Foi também ela quem bradou sobre ser namorada de Jonghyun (Shinee) no dia que ele veio a falecer, e também sobre ser melhor amiga de Goo Hara, também após seu falecimento.

Levando em conta seus históricos, nem Da Eun e nem Seo Hee tem a credibilidade necessária para acusar alguém sem provas. Então por que elas tiveram maior apoio do público? Por que Wonho não teve a chance de se defender e se explicar?

A cultura da perfeição que rodeia a sociedade coreana não é novidade para ninguém. Existem padrões quem são seguidos para que o cidadão consiga se encaixar, ser bem visto e assim leve uma vida pacífica. Você precisa ter um bom emprego, um bom companheiro (preferencialmente do gênero oposto), ter uma boa aparência (roupas bonitas, peso dentro dos padrões, pele impecável), ser comportado e não pensar muito fora da caixa. Quando a pessoa se encaixa nesses padrões, nesses requisitos da sociedade, não há muito com o que se preocupar.
O problema vem quando alguém foge desse padrão.

O próprio Wonho falou sobre isso a uma entrevista que deu para o Dispatch – mesmo veículo de mídia que não hesitou em destruir a sua reputação e sua carreira – em Fevereiro. Ele falou sobre como era sua vida com sua família quando criança, viviam todos em um mesmo apartamento e como sua avó usava o quarto, os pais, o irmão e ele dormiam juntos na sala. “Eu não sabia que aquilo era pobreza,” diz ele ao contar que não era bem visto na escola. “Um dia eles riam de mim porque eu estava sujo, no outro me atormentavam porque estavam entediados. Meus colegas me odiavam. Pra ser honesto existem mais lembranças que eu não quero relembrar. Em resumo, eu era isolado.”

Ele conta que as coisas dentro de casa também não eram as melhores, ele vivia sob as brigas constantes dos pais por causa de dinheiro, fazendo com que ele se sentisse sufocado e passasse mais tempo na rua. Ainda assim, ele não usa o seu passado como desculpa para suas atitudes. “Sim é isso mesmo, eu admito o meu passado. Eu fui idiota. Eu trabalhei muito para que eu não precisasse viver daquele jeito novamente. Eu só pensei nos integrantes, no grupo, nos fãs.”

Lee Hoseok – Wonho – em entrevista ao Dispatch.

Se tornar um idol foi a decisão que ele tomou quando percebeu que sua vida não estava indo para lugar nenhum. Nessa época ele já havia conhecido Da Eun, e passado por supervisão por um roubo que seus amigos cometeram. Vendo que não era o que queria, ele deixou sua adolescência conturbada para trás, e decidiu criar para dia a vida que esperavam que ele tivesse.

Se a pressão pela perfeição em um cidadão comum já é enorme, quando se trata de uma figura pública que precisa exceder as expectativas todos os dias, essa necessidade de encontrar ali no palco o biotipo ideal é extrema. O idol – considerado pela indústria apenas um produto – deve se vender como o tipo ideal de qualquer pessoa em tudo: um talento especial, roupas impecáveis, corpo torneado, pele perfeita, maquiagem no ponto. O idol respira pelo fã, trabalha para oferecer ao fã uma boa performance, acorda e dorme pensando no fã.

O idol é perfeito.

Mas a perfeição não existe e no final do dia, aquela pessoa é só um ser humano.

A sociedade espera desses jovens uma coisa impossível, desprendimento da sua humanidade para criar naqueles que os admiram uma ilusão, vender e vender e vender uma utopia que jamais será alcançada. Vender, vencer shows musicais, ganhar troféus, assinar centenas de albums e legar casas de show sempre mostrando que são os namorados(as) ideais: que te ama incondicionalmente, que faz tudo que você pede, que se arruma só pra você, que canta pra você, que assina o seu álbum e te reconhece em todos os fansigns, que não bebe, que não fuma, que não trai. Mas até que ponto essa ilusão é entretenimento?

Até que ponto a sociedade leva isso como a persona de um artista? E quando um arranhão nessa imagem vira um motivo para humilhação pública?

E com que direito uma sociedade que nunca acolheu acha que pode excluir?

“Para ser honesto, foi a primeira vez que senti uma emoção tão quente. Por isso eu não queria decepcionar ninguém. Eu queria fazer o que os fãs gostavam e retribuir para eles essa emoção. Mas…” Wonho diz quando se lembra dos fãs. Segundo ele, os integrantes do Monsta X e os Monbebe eram a sua maior preocupação, ele deixou o grupo para que eles não fossem mais atacados. Em uma provável tentativa de se redimir dos ataques infundados, o Dispatch pede que ele fale sobre os fãs, que atualmente tem o veículo como um de seus inimigos declarado. “Mesmo agora, eu não consigo esquecer os fãs.” Ele diz “Eu deixei arrependimentos para trás. Talvez possamos chamar isso de uma conexão persistente de como eu deveria ter tratado eles melhor? Eu só dei essa entrevista porque eu queria pedir desculpas.”

No começo da entrevista, Lee HoseokWonho – diz que gostaria que o Dispatch publicasse a mesma quando ele fosse inocentado. Não existe um “se”, é “quando”, a certeza sempre existente com ele de que nunca foi culpado, nunca usou drogas.

Por cinco meses os fãs tem lutado a seu favor, nunca se esquecendo de colocar as hashtags de apoio em meio às mais twittadas. Durante todos esses meses foram criados inúmeros anúncios em pontos chave de cidades pelo mundo, mostrando para quem quisesse ver a inabilidade de esquecer alguém que sempre fez questão de colocar os fãs em primeiro lugar.

É provavelmente a primeira vez que acontece uma mobilização desse nível dentro e fora da Coreia, onde finalmente um “risco” na superfície impecavelmente lustrada da fachada de perfeição dos idols não fez a menor diferença.

É a primeira vez que um fandom inteiro se une para aceitar o ser humano.

O ser humano que sofria bullying, que teve uma vida difícil em meio à pobreza, que errou, que decidiu mudar e mudou e nunca escondeu isso. O ser humano que poderia ser qualquer um de nós, e que foi metaforicamente apedrejado por pessoas que muitas vezes escondem esqueletos bem mais podres no armário.

O Wonho ser inocentado, tendo recebido o apoio constante de sua empresa, é um ato histórico por si só, e pode ser o primeiro passo para uma necessária mudança na indústria.

A entrevista com o Dispatch pode ser encontrada aqui. Ela foi realizada em Fevereiro, mas postada hoje.

 

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Written by Lun Rezende

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